Guilherme Novita Garcia

dor mamária: tratamento

O principal tratamento da dor mamária é a orientação verbal. A simples informação passada pelo médico sobre o caráter autolimitado do sintoma e também sobre a ausência de relação com o câncer de mama resolve o problema em 85% a 90% das mulheres. Existem medidas comportamentais que não apresentam eficácia comprovada, porém são relatadas como benéficas e inofensivas. Dentra estas destacam-se o uso de soutien esportivo, compressas frias, dieta livre de gorduras e exercícios físicos. Outras drogas têm eficácia no tratamento da dor, mas não são específicas para a mastalgia. Dentre elas citam-se os antiinflamatórios e os analgésicos em geral, porém o uso prolongado apresenta riscos de efeitos colaterais. O uso de antiinflamatórios tópicos na forma de gel apresenta resultados satisfatórios e menos efeitos colaterais, podendo ser uma alternativa interessante. Medicações ansiolíticas ou antidepressivos tem efeito global na melhora de quadros de dor, além de tratar quadros que poderiam causar ou exacerbar a dor mamária. Infelizmente ainda não há estudos randomizados avaliando a resposta da mastalgia a estas medicações.

Como as pacientes apresentam altas taxas de resposta à orientação verbal, qualquer medicamento ineficaz ou até mesmo o placebo aparenta ter taxas de sucesso bastante elevadas. Infelizmente, estes fármacos são amplamente usados na prática clínica, acarretando custo e risco desnecessário às pacientes. Dentre as medicações ou medidas consideradas ineficazes, mas que são constantemente prescritas pode-se citar diuréticos, dieta livre de xantinas, progestógenos, derivados do óleo de prímula (ácido gamalinoleico) e polivitamínicos. O tratamento farmacológico preferencial na mastalgia consiste no bloqueio hormonal. Os inibidores de estrogênio e de prolactina atuam na melhora do quadro, mesmo na ausência de níveis elevados destes hormônios. Srivastava e cols. realizaram metanálise dos estudos randomizados das 4 drogas mais utilizadas no tratamento da dor mamária: o tamoxifeno, o danazol, a bromoergocriptina e os derivados do óleo de prímula (fitoterápicos com alta concentração de ácido gamalinoleico). Apesar de não haverem estudos com boa metodologia, algumas conclusões foram obtidas. Os resultados indicaram que o óleo de prímula, vitaminas ou ácido gamalinoleico não demonstraram eficácia no tratamento da mastalgia. Já os outros fármacos hormonais apresentaram resultados positivos no alívio dos sintomas. Destes, o tamoxifeno apresenta menos efeitos colaterais e deve ser o tratamento de escolha, na dose de 10mg ao dia, por via oral, por 3 a 6 meses.

O fluxograma abaixo visa facilitar o manejo das pacientes com dor mamária.

Guilherme Novita Garcia Fluxograma

QUADRO CLÍNICO:

A mastalgia geralmente é processo benigno e autolimitado. Mulheres com mastalgia cíclica apresentarão dor associada ou não a ingurgitamento mamário no período pré-menstrual, com remissão dos sintomas após a menstruação. Entretanto, nos casos mais severos, a dor persiste durante todo o ciclo. A mastalgia não cíclica apresenta desconforto geralmente localizado em um ponto da mama, podendo irradiar para axila, braço, ombro e mão. Porém o fator primordial é a não-concordância com o ciclo menstrual. A anamnese da paciente com quadro de dor mamária necessita de avaliação do início, duração, localização, intensidade, fatores de melhora ou piora, fatores associados e principalmente, relação com o ciclo menstrual. Por se tratar de um quadro geralmente sem sinais clínicos, a análise subjetiva da dor pode ser realizada através de gráficos diários e observação da influência do quadro na atividade diária da paciente. As medicações utilizadas também devem ser pesquisadas. Relacionar os sintomas com a movimentação, com a respiração e se está acompanhada de algum outro sintoma (por exemplo: dispnéia, febre, etc.). A história recente de traumas mamários ou torácicos também deve ser abordada. Faz-se necessária a abordagem do estado psicológico, com relação ao estado de humor e a presença de dores de origem psicossomática. Durante o exame físico das mamas, a parede torácica deve ser examinada cuidadosamente a fim de serem excluídas as causas extramamárias. A palpação dos arcos costais e suas articulações são fundamentais para o diagnóstico de osteocondrite. A mastalgia focal durante a palpação deve ser melhor avaliada, pois pode tratar-se de mastite incipiente ou até mesmo de doenças mais graves.